Eles estão captando recursos porque nós não estamos fazendo o suficiente.

A reflexão deste artigo advém de uma experiência que tive no Aeroporto de Guarulhos.

Meu voo para Brasília estava previsto para às 09h30 e, como sempre chego ao aeroporto, fui tomar um cafezinho, afinal, a correria foi tanta que nem consegui fazer isso em casa.

Enquanto estava sentado na cafeteria pude ver várias crianças pedindo dinheiro para os viajantes que, um pouco temerosos, lhe recusavam tal ajuda, tamanho eram o medo de serem subtraídos pertences.

Me entristeci muito com a situação, pois aquelas crianças estavam fazendo exatamente o trabalho que era para eu fazer por elas: captar recursos.

Sem contrato de trabalho, sem um plano de captação, sem estratégias de marketing ou sem um mapeamento de parceiros ou doadores elas pediam.

A meta estava clara pra eles: o suficiente para sobreviverem naquele dia, o pequeno captador e seus irmãos.

Por que não estavam na escola? Por que ao estavam participando de uma atividade cultural, esportiva ou de lazer naquela manhã de sol?

Obviamente, cuidar das crianças, garantir seus direitos e preservá-los é um dever do Estado. Mas é importante também lembrarmos que, a constituição responsabiliza a sociedade civil, empresas e indivíduos também por tal dever.

Será que havia políticas públicas para garantir que aquelas crianças aproveitasse essa linda fase da vida?

Haveria algum entidade sem fins social que incansavelmente estaria trabalhando por aqueles pequenos?

O cerne da questão é que nós, como sociedade civil organizada, devemos ser sensíveis à vulnerabilidades sociais.

Precisamos contribuir para o desenvolvimento de soluções de problemas de interesse público. Afinal, eram crianças!!!!

Ora seremos voluntários, ora daremos recursos financeiros ou trabalhando diretamente na gestão de projetos de impacto social. Mas o que não pode ocorrer é uma omissão.

Uma associação (ou uma ONG, como é comumente chamada) que se levanta para garantir direitos fundamentais precisa fazer isso com excelência.

Não pode fazer pela metade, sem planejamento, sem sem consistência. Fazer apenas para “embolsar algum” no final do mês.

Tais instituições promovem e garantem acesso a política públicas onde o Estado às demandou, e precisam ser sérias neste importante trabalho.

Precisam ser competentes no que diz respeito à sua própria sustentabilidade, ou seja, ao seu plano de captação de recursos, sob pena de comprometerem suas operações e aí cumprem governos pela falta de subvenções ou a sociedade por não os apoiarem.

Como cidadãos nosso de se é agir nas diferentes esferas que já citei (voluntário, doador, apoiador), mas principalmente agir fiscalizando o trabalho do Estado e também cobrando resultados, razão pela qual estão lá.

Cabe ao Estado brasileiro a necessidade de uma profunda reavaliação dos métodos praticados na gestão pública.

O princípio constitucionais da administração pública não podem ser justificativas para a inação, desídia, incompetência e procrastinação na implementação de políticas públicas eficazes.

O agente público deve, com esmero e coragem, laborar pelo bem coletivo, pelo desenvolvimento da sociedade, para que tenhamos cidades melhores, um país melhor.

A infância é preciosa , única e efêmera. Não podemos permitir que ela se perca porque nós não estamos fazendo o suficiente.

Elas não são captadores, ainda não.

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