5 Mitos sobre Captação de Recursos

Sabemos da importância que a atividade de captação de recursos possui no dia-a-dia de qualquer organização da sociedade civil. É através dela que os projetos são garantidos, sem falar na busca por doações não vinculadas (verba não “carimbada”), normalmente direcionadas para o custo administrativo da organização.Dessa forma, é importante alertarmos as instituições sobre alguns erros que são cometidos no que diz respeito à atividade de captação de recursos, ou relacionamento institucional, como outras organizações também denominam a atividade.

1) O captador de recursos vai resolver todos os problemas da organização.

Sinto muito em dizer, mas isso não irá ocorrer. A captação de recursos, ou o relacionamento institucional, é parte do processo. Sem dúvida, o profissional de captação irá trabalhar com um foco específico no desenvolvimento de parcerias, cujo resultado esperado é a doação em si, mas a organização precisa estar atenta à outras atividades do dia-a-dia, a fim de que o trabalho de captação não venha ser prejudicado ou por que não, perdido.

2) O captador de recursos é quem tem os doadores.

Mais um erro clássico. O captador de recursos não tem os doadores, e nem pode ter. Os doadores são da organização, da causa em si, mas não pertencem ao captador.

O que ele pode dispor é de uma rede de contatos, mas nunca pode afirmar que quando sair daquela organização vai levar os doadores com eles. Isso seria antiético, além de faltar com respeito àqueles que acreditaram no projeto da organização.

3) O captador de recursos trará o dinheiro em curtíssimo prazo.

Um trabalho de captação de recursos não tem características de curtíssimo prazo, mas de média a longo prazo. Isso quer dizer que os resultados advirão após muitas horas de reunião, visitas à clientes, distâncias percorridas, cafezinhos tomados, apresentações feitas, etc… etc… E isso não se faz em um ou dois meses.

Normalmente, leva-se de 12 a 18 meses para uma organização ter um retorno de todo trabalho executado, através da consolidação de relacionamentos sólidos com parceiros e doadores.

4) O captador de recursos realizará todo o trabalho sozinho.

Pensar que, pelo fato de você estar pagando um profissional de captação recursos, ele tem que “se virar” sozinho para trazer os resultados é um grande erro.

Esse profissional, na verdade, irá interagir com outras áreas da organização, tais como: comunicação, marketing, desenvolvimento institucional, jurídico, contábil, entre outras. Todos os departamentos da instituição trabalharão junto com captação de recursos.

Além disso, o envolvimento da alta direção é fundamental. Se ela não comprar a ideia, é pouco provável que as demais áreas o farão.

5) O captador de recursos não precisa de meta de captação.

Já dizia Estraviz (2011): “se não há um objetivo claro, não há uma captação clara.” (1)

Não saber o valor que precisa ser captado certamente é uma falha grave no processo de planejamento de captação de recursos, e certamente os resultados estarão comprometidos.

Ter um projeto estruturado, ou um planejamento de custos da organização faz com que se tenha uma real informação do montante que precisa ser captado em um certo tempo. De posse dessa informação, o profissional de captação de recursos terá uma compreensão clara e objetiva das ações que precisam ser tomadas para que a sustentabilidade daquela organização, ou projeto, seja garantida.

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1. ESTRAVIZ, Marcelo. Um dia de captador. 1ª Edição. São Paulo: Zeppelini Editorial, 2011.

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